20 de julho de 2018


E se lembro do seu olhar, é como se o sol estivesse a me guiar. Como se fosse claro meu caminhar.
É o âmbar aparecendo através dos tempos, clareando onde não se podia enxergar. É o brilho do olhar que amanhece aquecendo.

E os lábios, me mostram um novo palavrear. As palavras um novo ritmo ao falar. E os pensamentos um novo mundo a explorar.

Tão real e tão místico. Tão incerto e tão perto... Tudo através do seu olhar.


Quando penso em escrever, tantas palavras me enchem, que parecem seguir um curso além do possível de vivenciar. Tanto movimento, que quase parece um desalinho, e se perdem num tentar.

A mente, ultimamente, tem seguido linhas próprias, que não são possíveis identificar. Noutras, parecem tão exatas que aparentam não estar em estado natural.

Um pesar. Mas um pesar que traz a vida, como o outono, que no silencio faz as arvores perderem suas folhas, a fim de estarem preparadas para renascer. O silêncio que carrega a tensão e que com ela faz germinar, explodindo uma nova vida quando o sol não teme se mostrar.

30 de dezembro de 2017

Sobre  ano que vai e o ano que vem...

Saber que palavras positivas e reconhecimento são motivadores - é uma coisa. Sentir que reconhecimento e palavras positivas são importantes motivadores - é totalmente diferente. Acho que é claro isso: a teoria fica sempre aquém da prática. Pois bem, justamente quase na reta final desse ano pude sentir o reconhecimento em resultado de algumas das coisas que desenvolvi ou vivenciei neste período. Houve aquele esperado e buscado incansavelmente; mas houve aquele totalmente inesperado (talvez sob a pressão do perfeccionismo que quase sempre atua de maneira negativa e destrutiva), quando acreditei que havia realizado muito menos do que podia ser capaz. E acredite: o inesperado me encheu de coragem, de determinação e me fez mais uma vez enxergar que muitas sempre exijo de mim mais do que seria necessário ou do que seria construtivo.
Não há algo mais valioso do que alguém dizer que confia em você, nas suas atitudes, no seu posicionamento, no seu caráter, no seu trabalho... Não há  nada mais compensador do que perceber que as pessoas te sentem como alguém em quem pode confiar. Não há nada mais compensador do que ter elogios no seu trabalho. Não há nada mais compensador do que saber que seus filhos percebem sua luta... 
Pude sentir isso. Então fecho o ano com o sentimento de gratidão. Por essa experiência e por encontrar nessa jornada as pessoas que foram veículos de todas essas possibilidades.

Penso que todas as nossas atitudes (escolhas, ações, pensamentos...) constroem algo em volta de nós, e de alguma forma se transforma em energias. E estas nos alimenta e também aos que se aproximam de nós.  E também  tem potencial de criar ainda sobre nossa própria vida. Seria quase como aquilo que dizem sobre "tudo o que você faz volta de alguma forma pra você. "
Pude sentir essa boa energia advinda desses reconhecimentos. E essa sensação me ajudou de forma intensa, tanto na motivação, quanto no questionamento interno sobre como me vejo e  como ajo comigo. 

E, como sempre há algo que se pode levar de valioso e de aprendizado, quero levar comigo o que aprendi com isso. E como meta principal para 2018, quero ser esse veículo também. Procurar enxergar em tamanho maior as possibilidades e potencialidades das pessoas com quem me encontrar. Procurar diminuir a visão do tamanho das coisas que não considero legal nos outros. E principalmente reconhecer essas características nas pessoas, não apenas no sentido de estar mais atenta para percebe-las, mas também, no sentido de agir para demonstrar essa percepção.
Desejo que 2018 seja um ano melhor que esse que está terminando. E que todas as pessoas que encontrei nesse ano possam também ter a oportunidade de encontrar pessoas como elas, pessoas bacanas e de ótimas energias!

Obrigada a todos que fizeram desse 2017 um ano especial para mim. E que eu possa demonstrar essa minha gratidão, ainda que em forma de carinho. 

E que no ano que está prestes a iniciar, possamos dar os passos necessários para fazer, desenvolver ou iniciar a nossa história.
O tempo que percorre as veias de nosso infinito, vezes impetuoso, vezes rastejante, mas sempre, sempre se movimentando sabe-se lá pra onde.
Sem parar vai percorrendo seu caminho, sem permitir a chance de voltar, de refazer um segundo que seja. Vai seguindo, sem ao menos deixar de ser um ditador insano que se perde em gravar suas regras.
Esse tempo que recarrega a alma quando conta o fim dos anos é o mesmo que dilacera quando conta o início de cada ciclo que o nascimento iniciou.
O tempo, algo imaterial, que deixa marcas tão visíveis ao olhar e ao tato, que algumas vezes desfaz até mesmo a memória, que nos faz esquecer que fomos, em algum momento, nós mesmos.
O mesmo, irreparável e ferozmente certo, o tempo. Aquele que simplesmente é... Sem nos dar substância cabível para medir se muito ou pouco, se longo ou curto, se sábio ou enlouquecedor. Simplesmente o tempo, que se faz sozinho, mas que nos faz procurar adendos para examiná-lo.
A exatidão não lhe cabe. Assim como a certeza só lhe reserva do que já fora. E também não se pode dizer que dele não serei totalmente submissa, pois que ele vem e vai como e quando quer. 
Quando criança, achava que a efemeridade tinha a ver com a feminilidade. Veja só! Não sei onde tirei a ideia, além da rima superficial das palavras. 

Como seria possível acreditar que o feminino carrega em si algo efêmero? O feminino, talvez, carregue muito mais que o masculino, algo que permanece, ainda que apenas aí, em seu mundo interior. 

Não há como não carregar a personificação nessa análise. Não há como desassociar. Assim como carrega uma criança em seu ventre, uma mulher, talvez propositalmente, carrega suas lembranças. 

Alguém duvida que uma mágoa é muito mais feminina que masculina? A mulher se apodera dela muito mais facilmente. Como se fosse uma parte de si. Como se estivesse na genética de sua feminilidade apoderar-se dela. E ela reluta em se desapegar. Qualquer desapego é um pedaço de si que se esvai. Não importa o que, o desapegar é sempre um projeto gigantesco. Até mesmo a ideia de desapegar-se de tanto encanto. Ou desapegar-se de sua mágica latente que desabrocha quando sua alma é tocada. 

Talvez tenhamos errado no entendimento do que é de fato gerar, cuidar, amamentar... Mas erramos no entendimento há muito tempo. Lá no momento da Criação. Hoje, é impossível mudar. Nossos genes não permitem instancias em locais fora de nós mesmas.


19 de abril de 2016

Existem dores que nos deixam mais fortes. Aprendemos, com o tempo a lidar com elas. Isso não quer dizer que deixem de sangrar.

Parece contraditório, mas é preciso alimentar essas dores, senti-las vívidas, potentes... Para que possam realmente me fazer forte.

Talvez, em algum momento, essa simbiose deixe de existir. No momento, elas são necessárias para que me empurrem... Para que eu conquiste o que deixei pra trás... Para que eu me encontre novamente.


Porém, é preciso dosa-las, para que não me maltratem demasiadamente, a ponto de me tornar alguém amarga e que minhas metas se percam no caminho. Essa análise, talvez, seja a mais intensa dor: estar entre o vazio e o precipício internos, mas ainda sim, saber que mergulhar é preciso. 

18 de fevereiro de 2016

Palavras que precorrem linhas tortas, na velocidade do tempo.
Esperança sutil que se faz.
Construindo algo em bases discretas.
Persistindo em frases secretas.



8 de janeiro de 2016


Foram os tempos. Eles permanecem e continuam mantendo o impossível. Preferia não acreditar em destino. Mas pouco me cabe em ação.


E quem quer saber? A vida é tão rara...
Não me importam as respostas, pois não faço as perguntas. Elas não me importam. Elas não me preencherão. 
A realidade é mais dilacerante. Ou mais vasta aqui dentro. E, de fato, o mais importante. 
Impiedosamente, não se pode contruí-la a seu desejo. Por isso ela tortura.
Quando se pode sentir apenas um pouco do real se transformando, é, talvez, a mais doce emoção.
Então, nenhum destino é posto a mesa. É tudo uma questão...

7 de janeiro de 2016

Distância grande que percorre meus caminhos ultimamente. Não te encontro. Não me vejo em seus traços.
Ando tentando rimar as palavras, mas não encontro ressonância. A sensação que havia antes, do desconhecido que se fazia conhecido, desapareceu. Voltou aos velhos tempos, onde o fio se perdia pelo universo.
Sinto como se um pedaço estivesse me pedindo pra voltar. Sinto como se faltasse algo.

17 de dezembro de 2015

Um recomeço não pode ser diferente do que recomeçar a si mesmo. As vezes é impossível deixar o velho, descarregar as malas. É como se tirasse algum órgão importante para você e não houvesse reposição, mas se continuar com ele, ele te mata aos poucos.

Assim me sentia: alguém que carregava um câncer. Precisava me livrar dele, mas não encontrava remédios para isso. Meu câncer estava em minhas lembranças. Se alimentava de partes importantes, mas cheias de dor. E me consumia, dia a dia, sem hesitar. E sem cerimônias, fazia-se presente, alardeando em todos os cantos dentro de mim sua experiência em me detonar.

Às vezes acho que havia um saudosismo em sofrer. Como se o alimento fosse esse: a dor. Em outros momentos, penso que a destruição fora maior do que realmente acreditei por algum tempo.
Não sei ao certo. Já não era o outro que me matava, mas eu mesma.

Decidi viver. Curar a ferida que eu relutava em manter aberta. Não sei dizer qual foi o medicamento eficaz, ou que não terei recaídas, mas sei o que quero agora.

O importante é deixar o tempo ajudar. Deixei o tempo cuidar um pouco de mim. Perfiz os caminhos lentamente, interiormente, para que pudesse avaliar cada passo e deixa-los para trás. Hoje, não caminho mais naqueles percursos. Nem me faço planos como os de antes, agora a vida solicita novas jornadas e novas posturas. E também menos cobranças. Deixei o tempo passar para resgatar a mim, a o que era e para me tornar o que posso ser.


Minhas expectativas para o futuro se baseiam unicamente nos passos que posso dar sozinha. O restante, eu deixo pra quando o futuro chegar. Não o adianto, e nem o espero, deixo apenas que aconteça.