17 de dezembro de 2015

Um recomeço não pode ser diferente do que recomeçar a si mesmo. As vezes é impossível deixar o velho, descarregar as malas. É como se tirasse algum órgão importante para você e não houvesse reposição, mas se continuar com ele, ele te mata aos poucos.

Assim me sentia: alguém que carregava um câncer. Precisava me livrar dele, mas não encontrava remédios para isso. Meu câncer estava em minhas lembranças. Se alimentava de partes importantes, mas cheias de dor. E me consumia, dia a dia, sem hesitar. E sem cerimônias, fazia-se presente, alardeando em todos os cantos dentro de mim sua experiência em me detonar.

Às vezes acho que havia um saudosismo em sofrer. Como se o alimento fosse esse: a dor. Em outros momentos, penso que a destruição fora maior do que realmente acreditei por algum tempo.
Não sei ao certo. Já não era o outro que me matava, mas eu mesma.

Decidi viver. Curar a ferida que eu relutava em manter aberta. Não sei dizer qual foi o medicamento eficaz, ou que não terei recaídas, mas sei o que quero agora.

O importante é deixar o tempo ajudar. Deixei o tempo cuidar um pouco de mim. Perfiz os caminhos lentamente, interiormente, para que pudesse avaliar cada passo e deixa-los para trás. Hoje, não caminho mais naqueles percursos. Nem me faço planos como os de antes, agora a vida solicita novas jornadas e novas posturas. E também menos cobranças. Deixei o tempo passar para resgatar a mim, a o que era e para me tornar o que posso ser.


Minhas expectativas para o futuro se baseiam unicamente nos passos que posso dar sozinha. O restante, eu deixo pra quando o futuro chegar. Não o adianto, e nem o espero, deixo apenas que aconteça.

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