Quando criança, achava que a efemeridade tinha a ver com a feminilidade. Veja só! Não sei onde tirei a ideia, além da rima superficial das palavras.
Como seria possível acreditar que o feminino carrega em si algo efêmero? O feminino, talvez, carregue muito mais que o masculino, algo que permanece, ainda que apenas aí, em seu mundo interior.
Não há como não carregar a personificação nessa análise. Não há como desassociar. Assim como carrega uma criança em seu ventre, uma mulher, talvez propositalmente, carrega suas lembranças.
Alguém duvida que uma mágoa é muito mais feminina que masculina? A mulher se apodera dela muito mais facilmente. Como se fosse uma parte de si. Como se estivesse na genética de sua feminilidade apoderar-se dela. E ela reluta em se desapegar. Qualquer desapego é um pedaço de si que se esvai. Não importa o que, o desapegar é sempre um projeto gigantesco. Até mesmo a ideia de desapegar-se de tanto encanto. Ou desapegar-se de sua mágica latente que desabrocha quando sua alma é tocada.
Talvez tenhamos errado no entendimento do que é de fato gerar, cuidar, amamentar... Mas erramos no entendimento há muito tempo. Lá no momento da Criação. Hoje, é impossível mudar. Nossos genes não permitem instancias em locais fora de nós mesmas.
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