Sobre ano que vai e o ano que vem...
Saber que palavras positivas e reconhecimento são motivadores - é uma coisa. Sentir que reconhecimento e palavras positivas são importantes motivadores - é totalmente diferente. Acho que é claro isso: a teoria fica sempre aquém da prática. Pois bem, justamente quase na reta final desse ano pude sentir o reconhecimento em resultado de algumas das coisas que desenvolvi ou vivenciei neste período. Houve aquele esperado e buscado incansavelmente; mas houve aquele totalmente inesperado (talvez sob a pressão do perfeccionismo que quase sempre atua de maneira negativa e destrutiva), quando acreditei que havia realizado muito menos do que podia ser capaz. E acredite: o inesperado me encheu de coragem, de determinação e me fez mais uma vez enxergar que muitas sempre exijo de mim mais do que seria necessário ou do que seria construtivo.
Não há algo mais valioso do que alguém dizer que confia em você, nas suas atitudes, no seu posicionamento, no seu caráter, no seu trabalho... Não há nada mais compensador do que perceber que as pessoas te sentem como alguém em quem pode confiar. Não há nada mais compensador do que ter elogios no seu trabalho. Não há nada mais compensador do que saber que seus filhos percebem sua luta...
Pude sentir isso. Então fecho o ano com o sentimento de gratidão. Por essa experiência e por encontrar nessa jornada as pessoas que foram veículos de todas essas possibilidades.
Penso que todas as nossas atitudes (escolhas, ações, pensamentos...) constroem algo em volta de nós, e de alguma forma se transforma em energias. E estas nos alimenta e também aos que se aproximam de nós. E também tem potencial de criar ainda sobre nossa própria vida. Seria quase como aquilo que dizem sobre "tudo o que você faz volta de alguma forma pra você. "
Pude sentir essa boa energia advinda desses reconhecimentos. E essa sensação me ajudou de forma intensa, tanto na motivação, quanto no questionamento interno sobre como me vejo e como ajo comigo.
E, como sempre há algo que se pode levar de valioso e de aprendizado, quero levar comigo o que aprendi com isso. E como meta principal para 2018, quero ser esse veículo também. Procurar enxergar em tamanho maior as possibilidades e potencialidades das pessoas com quem me encontrar. Procurar diminuir a visão do tamanho das coisas que não considero legal nos outros. E principalmente reconhecer essas características nas pessoas, não apenas no sentido de estar mais atenta para percebe-las, mas também, no sentido de agir para demonstrar essa percepção.
Desejo que 2018 seja um ano melhor que esse que está terminando. E que todas as pessoas que encontrei nesse ano possam também ter a oportunidade de encontrar pessoas como elas, pessoas bacanas e de ótimas energias!
Obrigada a todos que fizeram desse 2017 um ano especial para mim. E que eu possa demonstrar essa minha gratidão, ainda que em forma de carinho.
E que no ano que está prestes a iniciar, possamos dar os passos necessários para fazer, desenvolver ou iniciar a nossa história.
30 de dezembro de 2017
O tempo que percorre as
veias de nosso infinito, vezes impetuoso, vezes rastejante, mas sempre, sempre se
movimentando sabe-se lá pra onde.
Sem parar vai percorrendo
seu caminho, sem permitir a chance de voltar, de refazer um segundo que seja.
Vai seguindo, sem ao menos deixar de ser um ditador insano que se perde em
gravar suas regras.
Esse tempo que recarrega
a alma quando conta o fim dos anos é o mesmo que dilacera quando conta o início
de cada ciclo que o nascimento iniciou.
O tempo, algo imaterial,
que deixa marcas tão visíveis ao olhar e ao tato, que algumas vezes desfaz até
mesmo a memória, que nos faz esquecer que fomos, em algum momento, nós mesmos.
O mesmo, irreparável e
ferozmente certo, o tempo. Aquele que simplesmente é... Sem nos dar substância
cabível para medir se muito ou pouco, se longo ou curto, se sábio ou
enlouquecedor. Simplesmente o tempo, que se faz sozinho, mas que nos faz procurar
adendos para examiná-lo.
A exatidão não lhe cabe.
Assim como a certeza só lhe reserva do que já fora. E também não se pode dizer
que dele não serei totalmente submissa, pois que ele vem e vai como e quando
quer.
Quando criança, achava que a efemeridade tinha a ver com a feminilidade. Veja só! Não sei onde tirei a ideia, além da rima superficial das palavras.
Como seria possível acreditar que o feminino carrega em si algo efêmero? O feminino, talvez, carregue muito mais que o masculino, algo que permanece, ainda que apenas aí, em seu mundo interior.
Não há como não carregar a personificação nessa análise. Não há como desassociar. Assim como carrega uma criança em seu ventre, uma mulher, talvez propositalmente, carrega suas lembranças.
Alguém duvida que uma mágoa é muito mais feminina que masculina? A mulher se apodera dela muito mais facilmente. Como se fosse uma parte de si. Como se estivesse na genética de sua feminilidade apoderar-se dela. E ela reluta em se desapegar. Qualquer desapego é um pedaço de si que se esvai. Não importa o que, o desapegar é sempre um projeto gigantesco. Até mesmo a ideia de desapegar-se de tanto encanto. Ou desapegar-se de sua mágica latente que desabrocha quando sua alma é tocada.
Talvez tenhamos errado no entendimento do que é de fato gerar, cuidar, amamentar... Mas erramos no entendimento há muito tempo. Lá no momento da Criação. Hoje, é impossível mudar. Nossos genes não permitem instancias em locais fora de nós mesmas.
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