Sempre que bate a porta, eu deixo entrar. Sempre que entra fixa meu olhar. E observo a paz mais agitada que existe. Bagunçam os pensamentos, os sentimentos, é um querer mais que bem querer. É um querer que não quer querer. É um estar sem ser.
Sempre que bate a porta eu deixo entrar, e ele vira um ser lendário, que só se apresenta em momentos distantes. E me suga todos os suspiros, as palavras, os pensamentos. Suga minha paz desesperada, e a vontade estacionada. Prende-me em sua energia. Estabiliza-me o querer. Enlaça-me no afã de esperar. Mas sua energia é diversa, se espalha, não fixa em um só lugar.
Sempre que bate a porta eu deixo entrar, e perco-me em sua presença. Deixo de ser quem sou, torno-me nova e desconhecida. Procuro um guia para caminhar dentro de mim.
Sempre que bate a porta não lhe contenta permanecer. Sempre que entra, se vai depois do amanhecer. E aguardo nova batida aparecer...
Mas eis que cansada estou... Esgotada... Sugou de mim tudo o que aparentemente possuía. Meu coração se esvaziou, de tanto querer que queria. Meu pensamento parou, de tanto que imaginou e pensou. Minha energia se esgotou, de tanto que me enlaçou.
Preciso recuperar o que me fazia acreditar. Preciso encontrar a chave do que faz desenlaçar. Não posso mais pensar.
Preciso de um guia para me ensinar a caminhar dentro de mim. Desconheço os caminhos que se abriram. Quão vasta estou! Mas não posso visualizar a paisagem, sem antes recuperar o dom de poder enxergar.
A porta se fechou. Não adianta bater. Não adianta chamar. Não posso mais me perder. Não quero mais te amar.
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